ONU esperava acabar com epidemia de Aids até 2030. Mas essa meta pode estar ameaçada

Médicos Sem Fronteiras chamam atenção para negligência no combate ao vírus em 25 países africanos e alertam para retrocesso.

A ONG humanitária MSF (Médicos Sem Fronteiras) lançou nesta quarta-feira (20) um alerta de que, no ritmo atual, o mundo fracassará em cumprir as metas em relação à Aids estabelecida pela ONU para os próximos quatro anos.

O que a meta 90-90-90 propõe

  • Que 90% das pessoas vivendo com HIVfaçam teste e saibam que estão com o vírus
  • Que 90% das que sabem que têm o vírus, tenham iniciado o tratamento com antirretrovirais
  • Que 90% dos que tenham iniciado o tratamento estejam com carga viral indetectável

O fracasso deve ocorrer, segundo a organização, por causa da negligência mundial com os programas de saúde pública de 25 países da África Central e Ocidental, incluindo Benin, Cabo Verde, República Democrática do Congo, Chade e Camarões.

Segundo os MSF, “as agências internacionais têm dado prioridade a países da África subsaariana, nos quais a prevalência do vírus HIV é mais alta”, os chamados “hot spots”, como Zâmbia, África do Sul, Botsuana, Lesoto e Zimbábue. Enquanto isso, o tratamento de portadores do vírus nos 25 países estudados está sendo negligenciado.

Esse grupo de países é especialmente importante, pois concentra os seguintes números:

21%

De todos os novos casos de infecção por HIV registrados no mundo

25%

De todas as mortes relacionadas à doença

50%

Dos nascimentos de crianças com o HIV

76%

Da população desses 25 países não tem acesso ao tratamento com antirretrovirais

Quais as consequências do fracasso

FOTO: THOMAS MUKOYA/REUTERS

Se meta 90-90-90 for alcançada “os novos casos de Aids desapareceriam completamente até 2030”. Se o mundo fracassar, haverá um crescimento da epidemia, “representando uma ameaça ainda mais grave”, prevê a organização.

A Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids)explicou que a prevalência de casos de Aids no mundo configuram, sim, uma epidemia. O vírus não tem, entretanto, uma presença uniforme no mundo. Há países e regiões com maior incidência do que outros.

Como não fracassar

Para os Médicos Sem Fronteiras, os esforços poderiam ser melhor divididos. Os chamados “hot spots” são de fato os mais vulneráveis agora, mas a negligência em relação aos outros 25 países africanos fará com que a epidemia volte. Por isso, é preciso robustecer a cooperação internacional para ampliar a ajuda.

A Unaids não usa mais o termo “hot spot”, embora continue diferenciando países e regiões de maior incidência dos casos. A mudança de nomenclatura não se deve apenas a questões de estigma e de respeito aos direitos humanos das pessoas e das comunidades afetadas, mas também a uma tentativa de olhar “com lupa” bolsões específicos, no que considera ser o “sprint final para o fim da epidemia”.

Quais os entraves na África

FOTO: SIPHIWE SIBEKO/REUTERS

Dentro desses países, três fatores comuns dificultam o combate à Aids, segundo a organização: a pouca vontade política das autoridades, a fragilidade dos sistemas locais de saúde e a frágil reivindicação por tratamento igualitário dentro do sistema, com a manutenção de privilégios e a ausência de uma abordagem universal de saúde.

Além disso, ainda há muito estigma em relação aos portadores do vírus, que são tratados “como alguém que recebeu uma sentença de morte”. Por isso, muitos buscam tratamento médico longe de casa.

Os problemas econômicos também pesam. Mesmo em países nos quais os medicamentos antirretrovirais são gratuitos, os pacientes não conseguem pagar consultas para tratar doenças oportunistas, que acometem pacientes que possuem o vírus HIV, cujas defesas são baixas. Os medicamentos para essas doenças oportunistas também são caros.

Por fim, o afastamento do trabalho, a queda na renda e o estigma também debilitam a situação financeira de quem precisa arcar com deslocamentos e tratamentos justamente no momento de maior fragilidade. 

Fonte: Nexo

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