Jô Soares fala sobre uma de suas maiores paixões: o teatro

"O teatro é atemporal, seja qual for o seu tema. Comédia ou drama, tragédia ou farsa", afirmou o apresentador, diretor, escritor e ator"

Ele raramente concede uma entrevista. Prefere elaborar as perguntas a respondê-las. Quando tem algo a dizer, o faz no ar, no Programa do Jô, como aconteceu recentemente ao se emocionar defendendo Chico Buarque e ao criticar a atual intolerância social. Se o assunto for política, ele chama as Meninas do Jô e abre o debate.

Desde 1958, quando a carreira inicia, Jô Soares se vale dos palcos, da televisão, dos jornais, do humor, da música, dos livros, para provocar quem o assiste e quem o lê. Tornou-se figura icônica da cultura brasileira por dominar, com destreza, uma multiplicidade de ofícios. E não se trata de uma sentença opinativa, mas afirmativa. Mesmo que o Gordo não lhe agrade, impossível negar-lhe o sucesso como escritor, apresentador, diretor e humorista. O xangô de Baker Street, Viva o Gordo, Jô Soares onze e meia (daria para encher toda a página com exemplos) estão aí e não nos deixam mentir.

As convicções políticas são conhecidas, os interesses culturais foram longamente explorados, os personagens que o comovem viraram peça de teatro ou livro. Diariamente, ele destila sátiras, ironias, piadas e seriedades pela televisão. Como convencê-lo a falar ainda mais? Por que ele se daria o trabalho de responder a uma entrevista? Foi a dúvida que rondou a reportagem quando a apresentação do espetáculo Três dias de chuva, dirigido por Jô, foi confirmada em Brasília. A oportunidade surgiu. Faltava sanar a difícil tarefa de alcançá-lo e vencer a ainda mais complexa missão de seduzi-lo. Pois foi o próprio teatro que deu a resposta. “E por que não falamos exclusivamente sobre artes cênicas? Sobre o fazer teatral?”. Ele topou, em conversa por e-mail. 


Pediu para avisar que a conversa seria “às pressas, entre ensaios e gravações” e, de fato, Jô preferiu respostas concisas. Mas ele não precisa dizer muito. Rebate cada pergunta com uma provocação, sem entrelinhas. Não esquece do humor, mas não deixa de ser assertivo quando necessário. E o brinda, caro leitor, com um momento cada vez menos frequente: termos Jô Soares como entrevistado, saindo da cadeira e sentando-se ao sofá. E falando sobre o que nem sempre se fala, o tal do teatro.

Entrevista / Jô Soares  


Três dias de chuva traz reflexões sobre duas décadas relativamente distantes. Quando pensa em teatro, são grandes as diferenças entre o período em que você começou a trabalhar e o atual?
Acho que o teatro é atemporal, seja qual for o seu tema. Comédia ou drama, tragédia ou farsa. Estão aí os gregos que não me deixam mentir.

Ao traduzir um espetáculo, há uma preocupação em adequá-lo à realidade brasileira ou prefere se ater ao original?
Tudo depende da peça ou do tema. Algumas adaptações ficam ridículas, como pegar uma peça passada no sul dos Estados Unidos e colocar os atores falando com sotaque mineiro.

No início da carreira cênica, você atuou ao lado de nomes como Walmor Chagas, Cacilda Becker e Fernanda Montenegro....
Praticamente estreei com Cacilda e Walmor. Com Fernanda, só na televisão. Paulo Autran, Tônia Carrero e Adolfo Celi também foram extremamente generosos comigo.

O teatro de grupo ainda é relevante no Brasil? O teatro autoral?
Sempre foi e sempre será.

Diretores como Zé Celso e Augusto Boal te provocam?
Zé Celso é meu amigo de anos. Cheguei a participar da Primeira feira paulista de opinião (espetáculo manifesto dirigido por Augusto Boal, em 1968, que promoveu um encontro de dramaturgos e acabou por se tornar um marco da resistência cultural ao regime militar instaurado) como artista plástico, fazendo inclusive, o cartaz do espetáculo. Também íamos fazer uma peça do Sartre, As mãos sujas, mas depois de fazer as pazes com o Partido Comunista, ele resolveu proibir a montagem do texto no mundo inteiro.

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