Por que a realidade virtual promete ser a próxima fronteira do cinema

Iniciativas no Brasil e no mundo levam a tecnologia para perto do público. Para produtores, ela vai impactar na forma como o cinema é feito

O ano de 2016 já foi apontado como decisivo na materialização da realidade virtual na vida cotidiana. A tecnologia, aplicada principalmente no entretenimento - em games e  cinema - permite que o espectador, equipado com um óculos específico, explore um ambiente em 360º, criando sua própria narrativa.

Em março, o primeiro cinema no mundo a exibir filmes exclusivamente em realidade virtual foi inaugurado em Amsterdã, na Holanda. Festivais de cinema como  Tribeca e Sundance, ambos nos Estados Unidos, se entusiasmam com as produções no formato, tendo aberto categorias recentes em suas competições para elas, e já se fala na primeira obra-prima do cinema em RV.

E o Brasil se prepara para receber seu primeiro cinema de realidade virtual, o Cine Virtual, que começará a operar a partir do segundo semestre em Belo Horizonte e cidades do interior de Minas Gerais. As iniciativas e a popularização têm animado os produtores: elas abrem novas fronteiras para a produção cinematográfica.

Com os óculos, espectador entra no espaço e interage com o filme

A primeira exibição coletiva de uma produção em Realidade Virtual no Brasil foi feita no começo de abril, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. O curta exibido, “Rio de Lama”, dirigido por Tadeu Jungle, leva o espectador para o vasto marrom da cidade de Mariana após o rompimento da barragem da Samarco, em novembro de 2015.

FOTO: TADEU JUNGLE

IMAGEM PLANIFICADA DO CURTA 'RIO DE LAMA', FILMADO EM 360º

“Eu tive essa ideia em novembro. Pensei: ‘preciso levar as pessoas até lá porque as imagens já estão ficando muito amortizadas’, já não estavam mais ‘falando’, era preciso mostrar de maneira mais profunda no que estava acontecendo lá”, conta Jungle.

O diretor escolheu a realidade virtual porque, segundo ele, a experiência imersiva reforça a empatia e a sensação de estar, de fato, no lugar.

“É uma nova maneira de narrativa audiovisual, não é uma moda e não é um gadget. É, definitivamente, uma nova forma narrativa que veio pra ficar e vai transformar a maneira como a gente produz, enxerga e assiste o audiovisual.”

Tadeu Jungle

Diretor de “Rio de Lama”

FOTO: FERNANDO LASZLO

A PRIMEIRA EXIBIÇÃO COLETIVA EM RV NO BRASIL ACONTECEU EM ABRIL DESSE ANO

O diretor compara a experiência com os primórdios do cinema, no século 19, que tinha aparatos como o fotorama, tela cilíndrica onde era projetada integralmente uma fotografia panorâmica de 360º, ou com equipamentos individuais que animavam os fotogramas por meio de uma manivela. “Há um espanto toda vez que você coloca os óculos, semelhante ao espanto com aqueles primeiros planos exibidos [no início do cinema]”, diz.

Tecnologia muda a maneira de narrar

A mudança de paradigma trazida pelo universo de possibilidades da Realidade Virtual, em termos de narrativa, é uma questão fundamental para pesquisadores e produtores.

“O cinema tem toda a linguagem da montagem, o meio é linear. Na realidade virtual tem a questão da espacialidade. Isso muda bastante, porque de certa forma a narrativa está distribuída pelo espaço, você navega por esse espaço, é levado por ele, a história evolui dentro dele”, explica o pesquisador de Realidade Virtual Paulo Costa, doutorando na área de audiovisual da ECA-USP.

Além da espacialidade, que aponta para uma experiência não só ótica como táctil, outro conceito chave na narrativa RV é, segundo ele, a simultaneidade de eventos. Coisas diferentes acontecem em espaços diferentes ao mesmo tempo. “Podemos  direcionar o olhar para aquilo que nos interessa e , ao mesmo  tempo, ‘perder’ a ocorrência de outras situações”.

 

Isso possibilita a criação de filmes interativos, em que o espectador escolhe o final. É o caso do suspense “Link”, em 360 graus, que está em fase de produção e será a primeira produção exibida no Cine Virtual. Três finais diferentes estarão à disposição.

“O grande desafio que a gente tem, na verdade, é mais conceitual do que tecnológico. Quando a gente trabalha com 360º está levando literalmente o espectador pra dentro da cena”, diz Guto Aeraphe, que também é idealizador do Cine Virtual de Belo Horizonte.

Quais são as origens da realidade virtual 

As pesquisas com Realidade Virtual se iniciaram em 1968, data da criação do primeiro display de Realidade Virtual e Aumentada, chamado “The Sword of Damocles”, sistema de autoria do cientista americano Ivan Sutherland, primitivo em termos de realismo e interface gráfica.

FOTO: REPRODUÇÃO

O princípio básico que permitiu o desenvolvimento dessa tecnologia é a esteroscopia, técnica capaz de construir a  visão de um espaço tridimensional a partir de perspectivas diferentes do objeto.

O desenvolvimento de programas, a partir dos anos 1990, capazes de “costurar” fotografias panorâmicas, também foi um grande passo e originou os vídeos em 360º que podem ser vistos com o uso dos equipamentos óticos já citados (que criam uma sensação de imersão), ou sem eles, em computadores e smartphones.

Fonte: Nexus

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